quinta-feira, março 23, 2006

Publicitário paulista desvenda mistério da propaganda indesejada

Jornal Nacional

SÃO PAULO - Um publicitário de São Paulo parece ter encontrado a resposta para um mistério irritante. Ele descobriu como tantas empresas conseguem descobrir seu endereço e enviar milhares de correspondências indesejadas. Ao inventar um código e um endereço de email, chegou ao responsável pelo vazamento das informações - a Receita Federal.

Desconfiado, Aílton Tenório da Silva começou a investigar ao enviar a sua declaração de imposto de renda de 2003. Ele acrescentou as letras 'B', 'I' e 'R' ao seu endereço e criou também um endereço eletrônico exclusivo, pelo qual deveria receber toda e qualquer correspondência da Receita Federal.

O que era uma simples suspeita virou confirmação.

- Houve um vazamento, não duvida nenhuma disso. E veio de lá - afirma Aílton.

A confirmação veio quando um dia o publicitário recebeu em casa uma oferta de cartão de crédito. O banco enviou a proposta para o endereço só fornecido à Receita Federal.

Também a caixa postal criada exclusivamente para Receita Federal foi vazada e se encheu de propagandas diversas, de revistas a pacotes de turismo e propostas de emprego.

- Se saiu de dentro da Receita Federal meu endereço e a minha conta de email, podem ter saído também os meus dados financeiros, pessoais, qualquer outra coisa - suspeita Aílton.

No centro de São Paulo, esses dados são mercadoria valiosa. Não é difícil encontrar CDs com os chamados 'mailing list' pelas badaladas ruas de comércio popular do centro. Nas banquinhas de camelôs nas calçadas, um CD pode chegar a R$ 100.

Um vendedor explicou à reportagem do Jornal Nacional o que o comprador encontra quando abrir o CD com os dados de 2004 do contribuinte:

- Aparece nome, endereço, bairro, CEP, telefone e CPF, cidade e estado - disse ele, sem saber que estava sendo gravado.

Quem trabalha no ramo admite: o negócio é arriscado.

- Isso aí é proibido, meu. Você sabe que é proibido isso aí, né? - diz outro ambulante, também sem desconfiar da filmagem.

http://oglobo.globo.com/online/economia/plantao/2006/03/22/194006423.asp