Algumas informações sobre a Embrafilme

A Empresa Brasileira de Filmes S.A. ? Embrafilme ? foi criada em 1969 pelo Regime Militar. A finalidade da empresa era a divulgação do filme brasileiro no exterior, mas este objetivo foi sendo gradualmente transformado. Em 1975, uma reforma na empresa modificou seu perfil e a tornou mais ágil para a disputa no mercado cinematográfico, produzindo e distribuindo filmes brasileiros. Durante os anos seguintes o sucesso da empresa foi expressivo, tendo conquistado cerca de quarenta por cento do mercado, incomodando as companhias norte-americanas a ponto delas recorrerem a pressões diplomáticas a fim de pressionar o governo brasileiro a abrandar o perfil protecionista da política cinematográfica adotada.
Com um discurso nacionalista ? de conquista de mercado para o filme nacional -, os militares conquistaram a adesão de cineastas e produtores próximos da esquerda política e que, como artistas, detinham ampla legitimidade cultural em setores da classe média. Boa parte destes cineastas era oriundo do chamado Cinema Novo, movimento artístico célebre nos anos sessenta, que postulava um cinema que fosse simultaneamente crítico e transformador da realidade brasileira.
Um dos aspectos mais curiosos da política cultural formulada pelos militares era oferecer as fundações e empresas estatais para serem geridas pelos próprios artistas. Deste modo, a Embrafilme foi comandada pelo cineasta Roberto Farias, entre 1975 a 1978 e por Carlos Augusto Calil ? uma indicação do campo cinematográfico, entre 1985 a 1986.
Muito próxima dos cineastas, a empresa sempre oscilou em sua política de produção, indo do chamado filme comercial ao mais autoral, respeitando muitas vezes a legitimidade cultural acumulada por alguns diretores e produtores e não o fortalecimento da indústria cinematográfica como um todo, objetivo que estava colocado para a Embrafilme desde a sua fundação.
Com a crise econômica dos anos oitenta e a incapacidade do Estado em ampliar os investimentos na Embrafilme, aos poucos a empresa tornou-se incapaz de competir e regular o mercado cinematográfico. Durante a restauração da democracia no país, com a chamada Nova República, esperava-se que a situação da Embrafilme e do Cinema Brasileiro ganhasse um novo impulso, mas deu-se o contrário. Setores da sociedade civil estavam incomodados com a interferência do Estado na economia, e a imprensa, capitulando tal fato, implodia as ações do governo na cultura. Diante da crise econômica, a Embrafilme tinha adotado medidas destinadas a proteger produtores e cineastas, que aos olhos da imprensa apareciam como um incômodo protecionismo incompatível em uma economia de livre mercado. Diversos editoriais do jornal Folha de São Paulo em 1986, propunham que a ação do Estado no setor se desse apenas na formação de profissionais e em Cinematecas. Quanto à produção e distribuição, estes seriam assuntos para a iniciativa privada, afirmava o jornal.
Uma nova reforma foi adotada em 1987, procurando dar agilidade a empresa, separando as funções comerciais e culturais, mas o resultado foi pouco expressivo. O corporativismo presente entre cineastas e produtores ? que dificultava a adoção de uma política de produção mais independente -, o desinteresse do Estado em formular uma política cultural consistente e a forte crise econômica dos anos oitenta foram fatos que aos poucos esvaziou por completo a Embrafilme. O então presidente Collor de Mello, ao encerrar definitivamente a empresa em 1990, relegou o Cinema Brasileiro à sua própria sorte, abandonando-o em um mercado dominado pelo filme norte-americano.
http://www.estevinho.prof.ufu.br/artigo%20embrafilme.htm


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